Saturday, November 13, 2021

Um dia de cada vez

 Tenho sentido as palavras criando musgo

Silenciadas em meu âmago 

Enquanto o dia se arrasta em tormento

Porque me desprendi da noção de lar


Tento, tento me encontrar 

Tenho sede de paz e mar

Desde que decidi partir, não suporto mais ficar 

E as burocracias da vida parecem me devorar


Mergulho num turbilhão de informações

Buscando formas de me salvar 

Mas fui levada pela força da correnteza

Meus neurônios parecem colapsar 


Reflito sobre o vazio interior

As emoções, velhas amigas

Não consigo encontrar 


Resta essa doída mordida 

Que acontece sem eu sequer notar

Só a dor da tensão acumulada 

É que me desperta, falta ar


E quanto mais me perco

Nessa busca acelerada

Mais as águas turbulentas parecem clarear

Eis que tenho um visto um pouco de luz

No fundo do meu abismo, um brilho de luar

Sunday, October 3, 2021

Shut me out

 From afar I glanced

Until I took a chance

When I prepared to crash

You came and lashed (my heart)


I am pretty sure you didn't mean to

And, by God, the hell it put you thru

I could never see it coming

And then I just gave up on you

Because fear is never a good fate

And I would always fear you


Still, you shut me out

I was no menace, just a shadow

But I mirrored your doubt

God it hurts to be left out

Even when I had already killed the halt


Anyway, still and still you cast me out

From your heart straight to asphalt

I feel like roadkill meat, at fault

Crows diving in, sinking in my slot

Heart is there no more

Thursday, September 16, 2021

Covarde

Não há modos de superar circunstâncias ou evoluir sem primeiramente enfrentar a fase do reconhecimento. Por tanto tempo passei admirando minhas qualidades, sem querer ver ou reconhecer minhas falhas... Não mais. Ando buscando ativamente cada defeito, cada fraqueza, numa tentativa vã de me sentir mais humana, mais conectada de alguma maneira às pessoas com quem partilho o mesmo chão e o mesmo ar.
Já vi em mim pequenos traços de inveja - quem diria! Fruto da cômica injustiça universal, ou da justiça divina. A ira sempre foi meu maior pecado, e por isso hoje uso lágrimas no lugar de punhos. Não tenho também uma fração de todos os defeitos, mas foco no que já encontrei, em busca de aprimoramento. E hoje vi covardia.
A covardia é a minha agonia, uma doce melodia falsa que gosta de se disfarçar de audácia. Aos desavisados, devo parecer valente. Tomo a dianteira e vou na frente, galopando, correndo em direção àquilo que mais me provocar temor. Assim não sobra tempo para ninguém me medir pelo tamanho da minha dor...
Mas é covardia, porque toda vez e todo dia eu só penso em me esconder. Esconder meus talentos para não parecer presunção, esconder meu corpo para não parecer convidativo, esconder meu riso para ser levada a sério, esconder meu amor para não correr o risco de ouvir um não - prefiro me dar esse não eu mesma.
E assim vou, me escondendo em migalhas, sorrindo cada vez mais vazia, com um olhar que demora a aceitar o que vem da vida, silenciosa covarde que não cabe em nenhuma situação. Vou me escondendo em poesia, em frutinhas e doces, desligo-me da dor e vou chorar só comigo - até de quem é amigo desaprendi a confiar.
E enquanto isso, nessa dança, a vida tentou subtrair meu irmão alma gêmea. Nunca imaginei que choraria assim, ou que pediria tão fervorosamente para o universo me devolver nosso laço sagrado. Quando, no mesmo dia, sua mente retornou, percebi o quanto também eu esperei perder para valorizar. Eu, covarde, não quero aprender a viver num mundo sem quem, mesmo com covardia, do meu coração se apropria.
Meu corpo é uma oração que canta: por favor, covardia 🌜🍁 

Saturday, August 28, 2021

Amor Amor

 "Eu amo você"

Sai da boca imunda 

Da mentira profunda 

Da indecência do manipulador 


Quando sua boca fala de amor

Aquela que se permite acreditar  

Está fadada a viver em dor

O amor não é capaz de matar

Antes matasse a palavra em sua boca

E vivesse sua vida louca

Em sua vã filosofia egóica


Entreguei a credibilidade e a inocência 

E me fechei em resiliência 

Desaprendi a me abrir em luto

E observando o fruto

Da mentira nasce - do amor, ciência

Friday, August 20, 2021

Day One

A smile takes place on her lips as she sees him walking towards her, although inside the fear beats her heart up wildly. The time is now and she is secretly fearful of his reaction to her hidden truth. With an even bigger smile, he approaches her faster by the second, and holds her face in a cup with his hands, looking joyfully into her eyes. In silence he kisses all her fears away on her forehead. One kiss for each eyelid, as she gets used to his touch. Just right before he swipes her off her feet with the most passionate kiss, he takes a deep breath, like breathing for the first time when your dreams just came true. And then, forever can begin.

Sunday, August 8, 2021

Reconcile

"Trust me... You are the ON€
I want to reconcile the violence in your heart
I want to recognize your beauty is not just a mask
I want to exorcize the demons of your past
I want to satisfy the undisclosed desires in your heart"


From my own weakness, I learned silence
I learned distrust and blockage
I know now how to never open up again
And how not to need to open up

I am a locked chest for the past
Locked and forgotten
As dust fades into thin air
I leave my past behind

Strenght is hidden in solitude
Hidden in saying goodbye even when
All I wish is to remain
Surrendering to love is just easy

And can humans value easy?
Never ever
We aliens take it for ourselves to love easy
Try and live easy, but die hard

This life is somehow war
Or are you so naive to deny?
So we battle for peace and love
When love and peace can never be bought

Aliens carry no weapons but love
It's a weapon aimed to your heart
To show you your life is just a mask
Rise above, above and beyond - honesty will never be a fault

Suffering is sadly the only language humans seem to speak



E para Ness, tradução (;*):

"Confie em mim... você é A pessoa
Eu quero reconciliar a violência em seu coração
Eu quero reconhecer que sua beleza não é apenas uma máscara
Eu quero exorcizar os demônios do seu passado
Eu quero satisfazer os desejos não revelados do seu coração"


Através da minha própria fraqueza, aprendi o silêncio
Eu aprendi desconfiança e bloqueio
Agora sei como nunca mais me abrir novamente
E como não precisar me abrir

Eu sou um baú trancado para o passado
Trancado e esquecido
Como a poeira se dissipa no próprio ar
Deixo meu passado para trás

A força se encontra na solitude
Força está em dizer adeus até mesmo quando
Tudo que eu queria é poder permanecer
Se render ao amor é apenas fácil

E podem os humanos valorizarem o que é fácil?
Nunca jamais
Nós aliens nos responsabilizamos por amar fácil
Tentamos viver facilmente, mas não morremos sem lutar

Essa vida é, de certa forma, guerra
Ou você é tão inocente de negar?
Então lutamos por amor e paz
Sendo que paz e amor jamais podem ser comprados

Aliens não carregam arma nenhuma além do amor
É uma arma que mira em seu coração
Para mostrar-lhe que sua vida não passa de uma máscara
Se eleve acima, acima e além - honestidade jamais será um defeito

Infelizmente, o sofrimento parece ser a única linguagem que humanos entendem 💔

Friday, July 23, 2021

Hesitante

Anseio por dizer palavras livres: de tristeza, de desabafo, de dor, de saudade... Porém a ideia de insistir em chamar a uma porta que se fechou uma vez antes, não cogito levianamente. Quando alguém decide sair da minha vida, penso que é questão de respeito me manter longe. Não acho certo tentar persuadir ninguém para querer participar da minha vida, mas não me faz bem nenhum engolir minhas verdades com ácido e sucumbir enquanto minha mente reverbera sempre a mesma palavra - seu nome. O erro também foi meu, quando optei por não me explicar mesmo sabendo que havia sido mal entendida. E os escombros desse fantasma continuam ferindo, e só uma boa dose de verdade poderá curar esse pesar. Sem mais...

Thursday, July 15, 2021

Fragile

Clarity of the mind is such a rare thing, and so satisfying! The pain can either give you more clarity or make you completely blind to everything else. I feel the pain of my broken bone - the first and most likely not the only one. It makes me feel like I might pass out at times, but it mostly awakens me to see all that I was able to do before this bone was broken and that I took for granted. I don't know why nor how, but I am pretty sure it had something to do with fear that brought me to this awkward state of mind where I don't apreciate things like I used to do. Now I feel painfully grateful even for my pain. And I must remind myself daily: I am grateful for being alive, I am grateful for all that I learn from the pain ever constant in my life. And above all else, I am grateful for all the lovely moments I had of joy, love and pure bliss - looking in the eyes of someone you love deeply and unconditionally, and watching them smile as love is pouring out of their eyes is blissfully blessed as a newborn child. I have regained my thirst for life and my joy in existence all due to the overwhelming love that leaks out of my heart in a persistent and unstoppable way. So I have decided to appreciate my pain, both metaphorical and physical, and be wise about the many things life has already taught me. And that means HARDWORKING effort of putting my mind back in order. No more taking life for granted!

Tuesday, July 13, 2021

Os tempos são outros

Às vezes sinto uma necessidade súbita de parar o tempo. Só até terminar essa série, ou esse livro. Ou até conseguir colocar todas as tarefas da casa em dia, ou só até conseguir finalizar as encomendas, até ter fotografado tudo e colocado no site, ou só até colocar em dia as ideias de peças incríveis que imaginei na mente. Só até eu escrever as 318 histórias de bestsellers que fico assistindo passar detrás dos meus olhos e nunca encontro tempo para me dedicar a isso, porque não vai pagar o sacolão da semana, nem os medicamentos para o osso quebrado, tampouco as contas desse mês. Quero ganhar tempo porque a vida não pára para eu alcançar meus sonhos, e já me cansei de adiá-los - desistir deles, jamais! Queria ser eu quem tem as chaves da percepção temporal em mãos e pausar indefinidamente todas as pessoas - só até eu me sentir preparada e pronta para viver, da forma como eu gostaria de viver. É tão triste perceber que fui derrotada pela exaustão, ou pela saudade de rir e me diverir... Só noto que esqueci de tomar meus remédios quando a dor começa a latejar de um jeito forte e persistente, do qual é impossível escapar. Não consigo sempre acompanhar a progressão do tempo, me perco em ideias, letras, sons... memórias. Dentro de mim existem muitos tempos, muitas vidas, intensidades que queimaram como combustível todas as chances que existem de uma realidade a dois. Diante de mim, permaneço sempre só mas bem acompanhada. Já conheci o sabor de ser amada, mas será que essas memórias têm sabor de mel? Quando se almeja o "até que a morte os separe", o fim da mais doce paixão é a mais trágica amargura. Romantizar, na sociedade atual é uma palavra com significado ruim. Desde quando o romance se tornou o defeito, o pecado? A normativa de hoje é desapego, poliamor, descompromisso. O tempo do amor só existe no meu mar de sonhos, um pequeno caixão vermelho contendo uma jóia rara, desprezada e abandonada- meu coração.

Friday, July 9, 2021

Pertencimento

O mundo dos sonhos é um lugar mágico e misterioso. Na infância, eu tinha medo de fechar os olhos para dormir. Eu fazia uma pequena prece: uma noite sem sonhos, por favor. Mas quase todo dia o sono conduzia a uma guerra assombrosa da qual eu era a protagonista, e faces demoníacas aos berros disputavam por mim. Sonhos repetidos sempre doíam mais, porque eu já sabia como iriam terminar. Se era uma queda para a morte, consumida por chamas ou lutando pela vida numa selva cheia de armadilhas, assim que eu despertava dentro do sonho era tomada pelo deja vu e já sabia como acabaria. Quando cheguei aos 20 anos, comecei a ter sonhos ainda mais perturbadores, pois não eram fantasiosos. Sonhava ter sido traída e ter brigado com meu companheiro, e quando ele me tocou pela manhã retribuí logo com um tapa na cara - que ele não entendeu, e demorou um bom tempo para eu entender que havia sido um sonho. E isso, porque meus sonhos já não eram mais pequenas cenas flutuantes - eu vivenciava cada minuto, cada hora, e lembrava de tudo em detalhes. Lembrava das palavras ditas, e tudo que eu sentia nos sonhos, eu acordava com o coração transbordando aquilo. Em 2010, veio um sonho muito marcante: eu não era eu mesma no sonho, e vi toda a cena como uma observadora invisível no ar. Assisti em horrendos detalhes enquanto fui assassinada, esquartejada e devorada por cães. Senti no corpo tudo o que vi sendo feito comigo, e acordei aos berros. Gritei por muito muito tempo, completamente certa de que havia morrido. Quando parei de gritar uma hora depois, já sem voz, andei no escuro tateando, aterrorizada me levantei e encontrei um interruptor. Acendi a luz e não estava morta, mas aquela sensação não passou. liguei para o meu namorado da época e aos prantos pedi para ele me dizer se eu estava viva. Ele me tranquilizou. Por essa primeira hora, eu momentaneamente perdi as lembranças daquele "agora": onde eu estava, o que eu havia feito naquele dia, o que eu fazia da vida. Conversando com o namorado as memórias foram voltando. Procurei me tranquilizar e esquecer, mas sempre que me deitava a prece era a mesma: "uma noite sem sonhos, por favor". Muitas águas rolaram depois... Tive um sonho, ou talvez não tenha tido - senti o deja vu quando o tive há dois anos, mas não me lembro de quando foi que o tive anteriormente - e esse foi o mais aterrorizante de todos, não pelo sonho em si, mas pelos aspectos que explicarei. Num dia qualquer de meados de 2019, coloquei meu filho caçula para dormir e fui me deitar. Despertei em outro mundo, com outro corpo, outra vida, outra realidade, outra profissão. Mais uma vez, não era uma cena - era como viver, porém algumas semanas depois tudo acabou quando eu morri e despertei - completamente desesperada em resolver as questões que estava vivendo no sonho. Acordei chorando e em pânico, e não sabia onde eu estava. Não me lembrava sequer da minha casa, saí andando para tentar entender onde estava e como poderia ter vindo parar aqui. Quase entrei em choque quando vi meu filho e não o reconheci - não era nem da mesma idade do bebê que eu tinha em meu sonho. Tive certeza que isso só podia ser um sonho e que a qualquer momento eu iria acordar e ter que retomar a fuga frenética para proteger meu filho. O dia todo passou, e essa vida continuou, a outra não voltou. Isso tinha um sabor ácido, eu lembrava com clareza o que havia comido no restaurante self-service 2 semanas antes naquele mundo sonhado, mas não lembrava o nome do bebê me chamando de mamãe. Então peguei meu telefone (que na época graças a Deus não usava senha) e mandei mensagem para a única pessoa que eu reconhecia do sonho, por foto, minha amiga Ingrid. Liguei para ela, novamente aos prantos e contei tudo que me lembrava. Como a vi morrer e seu grito ainda ecoava distinto em meus ouvidos, sua voz e todas as coisas que vivemos juntas lá. Ela me orientou calma, e aos poucos fui lembrando desta vida. Sinceramente isso foi tão assustador que passei dois dias sem dormir, com medo de voltar para o "mundo do sonho" e passar por tudo isso de novo. Porém para minha alegria, não voltou a acontecer, pelo menos não assim, e não até ontem. Tive muitos sonhos nos últimos 2 anos, claro, mas geralmente cenas entrecortadas ou até mesmo nítidas, porém não cenas de morte. E ontem tive mais um desses sonhos longos, de sentir e lembrar do passar dos dias ao longo do sonho, em tantos detalhes como se tudo estivesse sendo realmente vivido. Porém foi como se eu estivesse editando o passado, costurando-me a uma realidade que não é minha, buscando sentir algum tipo de pertencimento na vida das pessoas com quem sonhei. Entretanto estou fadada a sempre olhar de fora, uma estrangeira expulsa do coração daqueles em quem reconheço ser o meu lar. Ao menos em sonho, tenho a chance de sentir sua dor e sua tristeza, e dar aos seus olhos cansados os meus olhos compreensivos, e apenas nisso já me sinto pertencer à sua vida, simplesmente porque sempre irei me importar...

Thursday, July 8, 2021

Silêncio e Nuvens

Certas dores não provocam reações furiosas - pelo contrário, resultam em rendição silenciosa e dormente. Na total incapacidade de entender o que lhe fez sair da minha vida quando em tantos momentos demonstrou que eu tinha alguma importância - ou que se importava com meu sofrimento - eu deixei todas as minhas armas caírem por terra. Não me restaram nem mesmo palavras que pudessem exprimir meus sentimentos, pois comecei a sentir coisas que não fui capaz de entender... Um dia como qualquer outro, mas o Sol do meu universo interno implodiu, e tudo ao meu redor retornou às trevas. Não apenas a luz da sua alma que me iluminava se apagou, mas até o calor do seu corpo que me aquecia partiu, deixando-me gelada neste inverno sombrio. Talvez eu tenha invejado seu calor e tentado absorver um pouco dele, me tornar um pouco como você na esperança de lhe entender melhor. Agora contemplo o vazio no breu gélido e me questiono se já entendi qualquer coisa de ti. Além das ondas que fluem de você em forma de música, do seu mar sem fim, acho que nunca falamos a mesma língua. O verdadeiro desafio é compreender por qual razão se descarta tão facilmente alguém que um dia tratamos com deferência. Para onde vão os suspiros cansados na calada da noite, que não se cansam de lamentar? Será que navegam até você sem fazer curva, num fluxo contínuo de uma conexão afetiva que não se rompe por mera decepção? Será que lhe acalentam na noite como um som de ego massageado ou um zunido irritante? E sua vida continuou como se eu jamais tivesse existido. Porém, não é o amor o seu maior inimigo. Sofro genuinamente pois admito o que levo em mente - sem nunca desistir, pois já vi tantas primaveras passarem, enquanto minhas visões se cristalizaram em realidade, que aprendi a não duvidar de mim mesma nem deste dom de entender a matemática do universo que parece falar diretamente comigo.

Saturday, May 8, 2021

Abandono

Derramei uma lágrima fugaz, que de mim brotou sem autorização. Não é fácil perceber ser descartável para alguém que escolhi tratar como prioridade. Mas a dança do mundo segue, e foi nessa direção. Diante do abandono, também eu abandono tudo aquilo que numa ilusão unilateral acabei por sonhar... Ninguém vai ver, e essas palavras vão guardar, como uma caixa de Pandora, todas as lágrimas que eu poderia chorar - porém não fazem sentido. Prefiro guardar essas raras pérolas de dor para tristezas mais compartilhadas. Quisera eu que o amor escorresse pelo ralo tão rapidamente quanto a esperança. O coma, entretanto, já me satisfaz. Será que um dia acordo a tempo de ver-me despertar? ...

Monday, April 19, 2021

Pedras no caminho

Vai chegar um dia em você vai entender porque não foi possível dar certo com mais ninguém, e a resposta vai ser "para estar aqui" diante da única pessoa com quem não podia deixar de ser. E para mim essa pessoa é você. 💜💚💜 Quartzo verde dos meus olhos. E é por isso que penso ser importante a gente se vigiar para não endurecermos tanto ao longo do caminho, para não nos tornarmos pedras, ao ponto de não nos rendermos diante da pessoa que traz segurança aos nossos corações.

Friday, April 16, 2021

Uma dança

Lhe convidei para uma dança cósmica, e o único crime é não poder me tocar. No Cosmos todo encontro é também destruição, então dançamos assim, emparelhados, as mãos ensaiando como seria esse encostar atômico. A gravidade vem forte do buraco negro onde um dia esteve seu coração, e eu que carrego um em cada olhar, me pergunto se fui capaz de lhe cativar. As sombras permeiam tudo, o vácuo é asfixiante nessa imensidão... Mas em mim brotam sorrisos porque na escuridão atravesso buracos de minhoca que me levam adiante, e são os seus olhos que encontro dentro do avesso da ampulheta da Existência... Então eu retorno e nas sombras aguardo o mover das águas do mundo, que girando vai, sem pausa, trazendo com precisão cirúrgica esses olhos na direção dos meus.

Monday, April 12, 2021

Tear Drops

A consciência traz uma dor inesperada. Iluminar os recônditos sombrios das razões que precedem nossas ações, cura através da dor. Hoje tive clareza sobre a natureza de todas as minhas resistências a retomar minha rotina "normal", e as lágrimas desceram em silêncio em muda compreensão. O luto do fim é um desafio intenso e tenho acumulado muitos lutos. Muitas mortes de amores imorredouros, muitas pessoas que a morte levou e ainda parece irreal não se lembrar se foi mesmo aquele seu último contato, sua última lembrança... Estou sentindo dor e derramando lágrimas reais, que em minhas divagações fantásticas são colhidas por fadas em tacinhas de cristal. Minha tia-avó faleceu e não dá para acreditar. E o medo de perder outras pessoas? Tem dores que vêm para nos despertar. E hoje não chorei apenas pela minha tão carinhosa tia, que sempre me acolheu. Eu penso se fui capaz de demonstrar corretamente o quanto a admirava. Penso em nosso último encontro, em Fevereiro de 2020, com sorrisos alegres de quem não imaginava que não ia se rever dali algumas semanas. E agora não podemos nem nos despedir, precisamos dizer adeus à distância e isso dói. E meus primos que não puderam se despedir da mãe, também me dói. Procuro me esconder no silêncio, mas nada afasta as lágrimas que insistem, mais de uma morte gritando alto em minha mente, o fim da negação ardendo forte em minha mente, uma cruz em meu ventre, e um sorriso que não se apaga mesmo de olhos fechados, algo tão intenso que viro os olhos para não me queimar com a dor da saudade. Abraçar a racionalidade foi rejeitar meus sentimentos e invalidá-los. Mas eles ainda existem. Pulsam em sonhos com sabor de nuvem e entendo que o coração é indomável, uma fera inexplicável. Estremeço sob a ideia, e minhas veias queimam, o corpo dói em chamas que rasgam a alma, e a alma só conhece seu nome, anjo.############################!!!###########Há coisas que se perdem no caminho que jamais vão se repetir, mas cujas memórias jamais irão se apagar...

Sunday, March 21, 2021

Canção

Como uma carícia que demora a chegar
Cuja espera pelo toque faz tremer a mão
O corpo soa um alarme que jorra eletricidade
Eu fecho os olhos e me permito mergulhar
O seu oceano é o brilho no meu olhar
E o tempo se perdeu, dissolveu-se
Em algum verso, esse amor voa
Ressoa tão doce, tão brevemente exposto
Recôndito num silencioso coração

Gravity

Love is like gravity
Hammering down inside

Like an artist, perfectionist
Take pleasure with every stroke

And lips, like words
Descending, hot as hell
All over me

My dreams are pure ecstasy
Pounding thoughts I can't unsee
Gasping, gushing
Down my throat
I blush even with the glimpse of memory

Pleasure is a dance of body and fantasy
All it takes is you and me
And you're mine in this shadow realm
Mine to be set free

Wednesday, March 10, 2021

Flashback 80's

I entered memory lane with the "classical" hits of the decade of my birth. Through them I feel time passing by, 3 and a half decades of existence, less than 13 thousand days. Suddenly it feels such a little time, but for my human condition it means I am approaching the midlife of my possible death age... so I feel as old as the changes that took place in this world during this time. No white hair or wrinkles, but I feel more "adult" than ever. Music bounds me to time. How many days have I got left, and what should I do with them? A part of me worries, while a deeper aspect sits observant and confident, pretty sure of what I really want. Should I be trying to escape my own dreams, just because they can't come true? I remember a talk I had last year with a random Jon Doe who was pushing me for a date that I denied. I said we shouldn't try because I could tell it wouldn't work, because I already knew what I was looking for and he was not him. So he said that the man I wanted most likely didn't exist and I'd wait my whole life alone for someone who would never come. Now I know he was right, because when a man is precisely as I hoped for, he lacks the essential witch is to dream of me too. Here I come, old age. Here I come, solitude. What can I do, if human emptiness and animalism are worst prospects than absolute lonliness to me...

Sunday, March 7, 2021

Desabafo n°12.644

Como a crise de abstinência, pela manhã chegam lágrimas porque todos os sorrisos dos meus sonhos não tem espaço na realidade. Será certo lhe tomar para mim sem consentimento, num mundo etéreo onde você sempre vem? Olhares e toques, cada vez mais distantes, é uma prisão feliz onde me afogo mais uma noite, e pela manhã é preciso abandonar tudo e encarar a sobriedade anestesiada (não há anestesia para aceitar perder). A fantasia é meu reino de controversa alegria, mas a realidade ainda vem me morder como a pontada de fome no estômago: só há o vazio. E enquanto escrevo, as lágrimas não páram de deslizar velozes como a correnteza de um rio, sempre na mesma direção. O amor é uma prisão sem barras, da qual eu não tenho vontade nenhuma de sair, mas também não tenho a resiliência para permanecer sem me entristecer. Quero um remédio para esquecer que não consigo dar as costas para o que brotou no meu âmago, um remédio para ansiar pelo amanhã que não tem nenhuma chance de trazer paz, quero uma pílula de arsênico e dormir na escuridão, até voltar para meu lar, átomos em par numa gigante vermelha qualquer. 💔 {Zero de preocupação em fazer qualquer sentido hoje}

Thursday, March 4, 2021

Destilando ódio

Hipersensibilidade. A paz interior está no silêncio exterior e qualquer barulho se torna digno de um ódio mortal. Meus olhos buscam se aprofundar com fogo nas entranhas de quem me rodeia, na esperança de um homicídio por osmose. Nos olhos, chamas. Mas não há paixão, somente sede furiosa de vingança. Eu não digo nada sobre mim mas silenciosamente odeio tudo que as pessoas fazem, sem sequer reclamar. Não, não me manda mil mensagens perguntando porquê eu não respondi! Nem fala comigo, que é melhor. Mas às vezes o vento traz solidão... mas não é da tua companhia que estou sentindo falta, não. Não tenho clima para nada disso, me deixa na minha. Meu ego não é tão forte ao ponto de sofrer em ser preterida pela típica perfeitinha gostosona que vai te trair eventualmente. Nem dó não tenho... É que meu interesse acaba onde sua animalia começa. Então abraço minha amiga e suas lágrimas, vamos beber um vinho e dançar à luz da Lua, vamos exaltar tudo o que somos e que já não há mais quem saiba apreciar. Deixe aos homens suas mentiras e suas ilusões, suas taras e suas negações. A nós o riso e o choro, o colo e o abraço, a dança e a beleza do apreço pela vida. Se somos fortes para permitir ao amor que chegue, se nos permitimos sentir, tampouco vamos morrer ao dizer a ele adeus, deixa ele partir, pois quem parte não é dos seus... A solitude é melhor que essa disputa louca por controle, tão súbita e fugaz quanto teu rosto no espelho.

Sunday, February 21, 2021

Fragments

I am running away in fear of history repeating itself. Always fleeing, and always in fear. I run away from my own hatred, because it scares me to death. It feels like there are so deep opposites inside me, I don't even know who I really am. Am I the one who loves endlessly- or the one who has to hold herself from murderous acts? I am thorned, I am dying all the time in furious poison of loneliness and dreams abandoned, I can't pretend I don't care anymore.

Ato II . Solidão

Após a primeira morte, ela esperava se libertar. Mas inspirou profundamente, e no ar ainda estava todo o seu amar. Enquanto os minutos escorriam na espiral vertiginosa da morte, a dor latejante se tornou como uma canção de ninar, um embalo constante para lembrá-la de respirar. Caminhando em trevas, o medo dominou todo o seu pensar, e ela em absoluto pânico precisou do mundo se ausentar. Como a estranheza de abrir os olhos ao acordar, nada mais lhe é familiar: nem o toque, nem o tocar... Ela desaprendeu a estar. Então, de olhos fechados, virou na direção oposta e foi mergulhar em seu profundo oceano de memórias sem par. Ali se abriga, se acolhe, recolhe as lágrimas que nutrem o mar. Como aquela primeira música que a ensinou a amar, seis dias ela passou em silêncio nas profundezas de seu próprio pesar. Seis dias como os seis dias em que se fez este Verso, dias que se extendem além de onde sua alma míope é capaz de enxergar. E o sétimo dia chegou, mas não para descansar: chegou a hora de à superfície, retornar. Outro dos perigos do amor é perceber que nunca vai acabar.

Permanente

Estão rindo da minha paciência pois parece enlouquecer as mentes quentes, ansiosas para fazer acontecer. E eu que desaprendi a querer qualquer pessoa que não seja você, me cubro com rubra mortalha, foi-se carnavália e me aquece o pesar, o sopro gelado das horas sombrias que sua falta denuncia, fecho os olhos e mergulho no meu mar de sonhos onde você não tarda a chegar, brisa leve com sabor de luar. É preciso mais que o passar do tempo para me fazer mudar...

Saturday, February 20, 2021

Ato I . Amor Fantasma

Ninguém sabe a hora e o dia certos em que uma história de amor pode começar. E o que é uma história de amor? Será preciso caber no padrão de final feliz, casamento e filhos? No meu mundo literário as histórias são livres para se auto compor, conforme o vento sopra as nuvens em desenhos enigmáticos no céu claro. E uma história de amor nada mais é que uma fração de vida fotografada onde a pureza do amor aflorou. Ela tinha medo, e tinha também curiosidade. Ponderou bastante qualquer interação, e o pessimismo regia seus pensamentos. O ego, ferido, queria distância. Entretanto sempre há uma instigante curiosidade que demanda ser investigada. E assim, ela falou primeiro, e em seguida se armou para uma batalha, se protegendo antecipadamente de qualquer resposta rude, ou do silêncio ainda mais perfurante. Suas expectativas foram então frustradas por um diálogo gentil e inesperado. Ela baixou as armas, mas não se iludiu - diante de si só via o impossível. Por que esse estranho a intrigava tanto? Por que havia de despertar nela uma sede desconhecida, de mergulhar em águas profundas e turvas? Um mistério. Talvez o mistério fosse tudo - e numa jogada insana, ela entregou segredos dos quais não falava há tempos, certa de que seria mal vista por excessiva abertura, afinal nenhuma pergunta havia sido feita, e ali estava ela contando tudo de si. Uma lágrima de choque se chocou com um sorriso incrédulo, quando aquele gentil estranho, num movimento inexplicável, ao invés de se afastar, mergulhou na mesma direção. E as palavras continuaram brotando de uma fonte inesgotável de curiosidade, uma faísca na escuridão da mesmice habitual. E num dia qualquer, às duas da tarde, ela entendeu. Seu coração acelerou descontrolado, as mãos suando copiosamente, o ar parecia lutar em seus pulmões... Havia nascido nela uma semente de amor, e em seu peito jazia um sarcófago de si. Como poderia brotar uma semente em solo infértil? Como poderia resistir aos seus esforços de exterminá-la como a uma erva daninha? Sua mente rodopiava em puro medo - esquecestes da impossibilidade desse amor? Não, não havia se esquecido e ainda assim ali estava. Ela chorou, o medo contagiava o ar e tudo ao seu redor, sufocante. Ela se conhecia bem demais para saber que esse era o mais perigoso dos sentimentos. E tentou então fugir em todas as direções opostas, mas seu corpo já não mais obedecia. Fluía como a correnteza perene de um rio selvagem, estrondosamente forte rumo a um único coração. Aqui as lágrimas corriam tão depressa que ela esteve em sério risco de se afogar - não devia ser tão triste assim amar. E ele, que nada sabia, foi tão implacável quanto sua natureza impossível já havia prescrito, quando ela se atreveu a se declarar. A escuridão a recebeu como seu único lar, e aqui fica um dos perigos de amar: é se perder, e nunca mais se encontrar.

Overture

Amei o luar
E depois, o brilho do Sol
Eu nem sabia que vivia em trevas
Até você me acordar


Procuro por ele, quase sem ar
Suas cores são tão quentes que me fazem fraquejar
Mas na escuridão de sua ausência
É impossível respirar

The Rise of Thy Blessed Soul

É essencial olhar além, merguhar na imensidão do horizonte
Corpo e alma entrelaçados numa nuvem prata
Percepção se aguçando, os anjos vem sussurar
Para quem estiver ouvindo com atenção.

Come and look beyond, dive in the horizon
Allow your soul to reflect on your body, shivering
Feel the wind and swim within a silver cloud of dreams

Thursday, February 18, 2021

Campo Minado

Sou científicamente imprevisível
Meu coração é um campo minado
E cada passo pode fazer você voar tão distante...

Às vezes meu coração é apenas o breu
E as luzes das estrelas parecem um mito
Criado apenas para me iludir e desviar
Mas tem horas que é impossível negar

A forma como o sentimento me consome
Sua voz é como o ar invadindo meu corpo Involuntariamente
Seu olhar perfura a fundo as distâncias e parece me tocar
Eu me ensinei a esquecer de te amar
Mas hoje me esqueci de esquecer...

Wednesday, February 17, 2021

Lost

Fui arrancada da minha própria vida, raízes expostas, o ódio que em minhas veias escorria transbordou incontrolável, contaminando tudo. Feri, e choro as lágrimas que arranquei de meu próprio coração. Fiquei só, o chão se foi, e as paredes, e todas as vozes. Permanecem apenas as sombras da escuridão solitária onde meu pesar fez morada. Em desespero, busco consolo nas mãos erradas, e me afogo em lágrimas. E tudo aquilo que até minutos atrás me definia, me movia... agora não passa de água e sal, sonhos e lembranças de memórias irreais que nasceram e morreram dentro de mim sem nunca ganhar voz. O amor se tornou uma memória distante e impossível, e no silêncio me encontro pensando se no ódio ainda há amor, ou se é apenas a dor de cabeça latejando minha indecisão.

Monday, February 8, 2021

Quando a chuva chega

Amanheceu mais um dia sem Sol
As mãos frias e cinzas e mortas das minhas emoções parecem ter se arrastado sobre o céu
Rabiscando o azul e o dourado
Deixando trevas, escuridão e lágrimas
Como meu coração.
Estranhamente o clima de chumbo
Parece confortar meus olhos que já não querem ver o dia
Só as estrelas e os rugidos de fúria celeste
Dê-me trovões e relâmpagos
Enchentes e inundações, mortes e caos
E assim, não sinto pressa
E assim, não dói tanto estar aqui
Porque parece que o mundo tirou altas
E não preciso mais sorrir
Posso só estar aqui, e me sentir aceita
Pelo mundo que agora usa a face
Que dentro da minha alma, caminha

Wednesday, February 3, 2021

My dearest reader

It kind of pains me the fact that the only person (apparently) actually paying any attention to what I have to say here is my great Slovenian reader. I just wonder how you always know there's a new post to check. Do you get notifications or something? The website is mine but I confess not to check this sort of stuff as I probably should though... Anyways, please don't be offended by my sadness. Is just a way of displaying the fact that I feel very lonely in the midst of everyone I know. And I wish I knew the only person who listens so carefully to my words from across the globe. Your anonymity actually pains me, know that much. Come out of it. Let's talk. Break the silence.

Silence her, now!

Words flow like an endless drain at work, taking away everything that gain life inside my mind.
I watch closely and yet a little absent-minded from my own curious persperctive: distance was easy for me and people skills were always an easy game. Is it? Is it cruel of me? I choose to give up hoping. No happy endings to delude me. C'mon darling, you know it very well, how I'd watch time fly by for years in a row, just while watching your eyes glow. So there is no need to pretend to know when in fact you're nowhere near control. Like poetry sucked dry, like a dark green poison juice, the faithless is ruining my thursday mornings into grey old shades. I fear laughter will never rise again from my chest in a loud roar. I wait with faded eyes, I want you to notice there's nothing you can do. And I shall hide, and be exposed. Betrayers shall be punished, and I am always the same silent emptiness that drives you to madness when no soul in the world speaks your tongue. All I bring is mayhem with a bloody flavour, and kisses of sweet heartache...

Take the fault

So you think so low of yourself that you need to tell me all your sins? You hope or secretly desire that I loathe you for your past and all bad things we call mistakes? So let me show you that I don't and it ain't your privilege - I just don't waste energy in judging other people's lives. You see your shadow and it's darkness suits you. You feel you deserve pain. I am sorry but I can't ever agree with you on this matter. When I look at me, anger is just being built beneath apathy and sad eyes. I own the same self-oriented loathing, and I watched silent as it was built. Now I know that's what those phrases were teaching me all the time: you are worthless and not deserving even of all the bad things that came your way. You still do think that way, right? That somehow you got lucky to have that waste of time in your life... Wish I knew how to bring an end to this poisonous voice that crawls within my mind. At least, being aware of it, I may hear it from a nearly powerless spot inside me. And hopefully someday I can learn to share the trick. {Meanwhile I crave for silence and solitude, and curse the world for humanity's existence}

Friday, January 29, 2021

Alive

Are you afraid of being alive? I caught myself wondering about what else might be missing for me to get back that familiar urge to live and accomplish and achieve and succeed. Soon, one of my greatest worries will be gone. Finally a home rebuilt, finally a safe haven for my kids. So, why do I wake up with that emptiness in my chest? No joy in laughter. No memory of my love for the clouds, just that auto pilot weight of responsability. So suddenly, came a different perspective inside me that says maybe I am afraid of allowing myself happiness only to lose it all over again eventually. And truth to be told, maybe that too shall pass and is just the way things are. Temporary. Yet, necessary. Otherwise you're not even actually ALIVE.

Wednesday, January 27, 2021

Hidden Doors

I look in the mirror and dive
Into your mysterious gaze
I wonder if your soul hides the colors
That mine is pretending to hide
Do we share hidden doors
To worlds we've built very far
Only dreams in hearts apart
In the dark we give birth to art
And seal the lace of blood at last

Saturday, January 16, 2021

Apagar

Sonho com uma presença de reparação. Uma doçura tão intensa que remende as chagas, firmeza e constância capazes de olvidar as lembranças cristalizadas de violência e dor. Um amor que seja paz, não um mar, mas um lago de águas calmas. Busco fazer isso só, mas vou de encontro a calamidades. Como uma semente tentando espalhar raiz sem solo macio. E, exposta ao Sol, padece, endurece, enrijece. Pode pulsar vida, mas ao mundo externo é a encarnação da morte. Morte essa que aceitei já faz muito tempo... Mas se fui despertada do meu sono de morte uma vez, não posso perder esperanças de encontrar a melodia que traz vida pulsando em minhas veias. E eu optei por acreditar, sem pestanejar, apenas me entregar ao fluxo do tempo que nos ilude a todos enquanto traça sagaz seus planos. Porque mereço cura depois de tanto desamor. Porque as raízes foram feitas para abraçar a terra com todo seu coração. Então me ponho a vagar em busca - não de terra fértil, fresca, imaculada- busco a terra que já tem sulcos das marcas que deixei com meus tenros braços de raiz,em outros anos luz, em todas as direções, intimidade construída com moléculas de outras dimensões.

Tuesday, January 12, 2021

Neutralidade é o caminho do meio

Tenho me concentrado na complexa missão de auto análise e auto controle. A racionalidade esbarra nas emoções de maneiras inesperadas e muitas vezes surpreendentes - mas raramente positivas. Levo a mente por novos caminhos onde não trilhe no desespero e acabe se perdendo. Sinto por um segundo o ar invadir meu corpo, como um alento, e o coração pedindo descanso. Não existe controle, e nisso reside o auto controle. A corda bamba é essa realidade simulada, onde eu me perco na estrada, a mente nas nuvens de algodão, meu coração esquecido na contramão. Me alio então ao silêncio, querido amigo, e me entrego à solidão. No vento esqueço as palavras e deixo partir aquele sonho de infância- existe espaço para sonhar enquanto as horas se atropelam em medo e ilusão?

Saturday, January 9, 2021

The gift of pain

Growing up means to look at the past and be able to understand what took place even in scary moments (or apparently good ones) from a more mature point of view. If you remain behaving as a child, angry, frustrated and blaming everyone but yourself for your issues, you will always be unhappy and a bad company to those who care for you.
We are all broken since childhood, because we are like animals waking up to conciousness and past generations didn't had any idea on how to best instruct children to achieve happiness as adults. In this endless cicle of error, parents failed to instruct their children and we are trying to be the ones to break the wheel and bring an end to everlasting mistakes. But we aren't free from error.
Far from it, actually. We have been spreading the gift of pain even before we had a chance to actually choose. I was broken at the age of 6, and I was breaking someone else by the time I was 12. And he was breaking someone else by the time he was 20, spreading like cancer the darkness that dwells within us.
So we sit together and in a hug we cry for what we did to each other, to others, and for what was done to us. One night to remember, understand, forgive, let go and forget. Time to bury the past and to shine free from it.
Can we ever be truly free from it, or shall it always take a conscious effort not to act on the broken shards of our hearts?

Vanish into oblivion

Small. Broken.
I feel like a tiny spec of dust, invisible, undesirable, a burden even to myself.
I lost my voice and just can't seem to fit in this world anylonger. There is just so much pain in waiting for dreams that might never come true...
I am trying to erase myself from the world, no longer chasing purpose, no more illusions in the wind, hide away the clouds.
As I watch from a distant shore, life goes on. I never really did fit, it was a dream, nothing more.

Thursday, January 7, 2021

Turn off the light

I have been blessed with such passion for life, for all that is natural and truthful in this universe. It takes me many places all at once, sometimes it feels like I am stretching to grab the whole planet and the sky and all the stars with my bare hands. Although it is an amazing feeling, it's also exhausting. And when I am done at the end of the day, I wanna come home to kindness and a hug full of warmth with no limits. I need to rest my head on a lap offered willingly, and feel a gentle hand stroking my hair into oblivion or maybe into seduction. Maybe both.
And when my body is weary, stumbling upon dreams and losing consciousness fast, I want to be with the one that will turn off the light and tuck in my blanket with a blissful kiss and a smile on his lips, awe and gratitude in his eyes.
No woman needs no man. We are the resisting walls that hold the foundations of the Earth. But how lovely it can be not to need, and still be able to share simple moments of love.