Sunday, February 21, 2021
Ato II . Solidão
Após a primeira morte, ela esperava se libertar. Mas inspirou profundamente, e no ar ainda estava todo o seu amar. Enquanto os minutos escorriam na espiral vertiginosa da morte, a dor latejante se tornou como uma canção de ninar, um embalo constante para lembrá-la de respirar. Caminhando em trevas, o medo dominou todo o seu pensar, e ela em absoluto pânico precisou do mundo se ausentar. Como a estranheza de abrir os olhos ao acordar, nada mais lhe é familiar: nem o toque, nem o tocar... Ela desaprendeu a estar. Então, de olhos fechados, virou na direção oposta e foi mergulhar em seu profundo oceano de memórias sem par. Ali se abriga, se acolhe, recolhe as lágrimas que nutrem o mar. Como aquela primeira música que a ensinou a amar, seis dias ela passou em silêncio nas profundezas de seu próprio pesar. Seis dias como os seis dias em que se fez este Verso, dias que se extendem além de onde sua alma míope é capaz de enxergar. E o sétimo dia chegou, mas não para descansar: chegou a hora de à superfície, retornar. Outro dos perigos do amor é perceber que nunca vai acabar.

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