Amanhecem os sons
Tantos sons confusos ao meu redor
Se amontoando em meu silêncio
Consumindo minha frágil paz
O som das flores brancas e amarelas
O som da bandeira estendida
O som das folhas morrendo, e caindo, e nascendo
O som da luz do Sol, tão intensa em minhas lágrimas
É fácil fazer um versinho dizendo "adeus"
Mas é uma implosão traduzir esses sons
E mostrar o caos da minha alma
Emoção quente, emoção fria
Um choque térmico emocional me despedaçou
Caminho numa solidão nua, de mãos atadas
E o espaço entre dois corpos parece intransponível
Desde que o medo me corroeu as forças
Que bela armadilha um homem se propõe a armar
Por mim, por nada
Ah, mágoa!
Amanheci com uma adaga ensaguentada
Em meu peito atravessada
Sangue negro da ilusão
Cuja morte doeu só em mim, que fui mãe
Dei à luz e a nutri, do início ao fim
Envenenar-me foi sua retribuição?
Retaliarei!, jurei em silêncio
Leva para longe seus olhos verdes
Sua doçura ensaiada
Sua alma cansada
Sua voz progressiva
Deixe-me onde estava, desolada
Eu já estava conformada
Eu nunca mais ia sonhar
Me roubaste a indiferença
E agora é o meu coração a sangrar
Quem te fez assim, tão lindo
Não pensou que este menino
Ia nascer só para matar
Ah, mágoa!
Desdobra aqui sua máscara
Pois sempre estou errada
Eu sonhei ser amada
E pelo sonho, morri.
Lívia Louback
Wednesday, April 13, 2016
Dividida
Entre as coisas que manda o coração
E os ensinamentos ditados pela razão
Encontro-me dividida, estou paralisada
Não sei se escolho paz ou se prefiro ser amada
O tempo e a confiança são o peso do passado
Mas experimentei o novo e não vi nada de errado
A paixão é perigosa, disse a mente consciente
E o beijo mais seguro há de ser mais envolvente
A beleza não dita regra e é bem equivalente
Um é a face do aceitável, do que é conveniente
Enquanto o outro é o oposto, totalmente diferente
Causa choque e atração igualmente em toda gente
E então resta aquilo que importa realmente
É a luz que vejo brilhar em cada um intensamente
Nesse antigo amor foi a luz que me convidou
E hoje dela nada vejo, nenhuma luz nele restou
Enquanto isso o coração se vê equivocado
Enganado ou iludido por um amor já enterrado
Não sei se sigo pelo caminho do perdão
Ou se abro espaço para a luz, e digo não.
Lívia Louback
E os ensinamentos ditados pela razão
Encontro-me dividida, estou paralisada
Não sei se escolho paz ou se prefiro ser amada
O tempo e a confiança são o peso do passado
Mas experimentei o novo e não vi nada de errado
A paixão é perigosa, disse a mente consciente
E o beijo mais seguro há de ser mais envolvente
A beleza não dita regra e é bem equivalente
Um é a face do aceitável, do que é conveniente
Enquanto o outro é o oposto, totalmente diferente
Causa choque e atração igualmente em toda gente
E então resta aquilo que importa realmente
É a luz que vejo brilhar em cada um intensamente
Nesse antigo amor foi a luz que me convidou
E hoje dela nada vejo, nenhuma luz nele restou
Enquanto isso o coração se vê equivocado
Enganado ou iludido por um amor já enterrado
Não sei se sigo pelo caminho do perdão
Ou se abro espaço para a luz, e digo não.
Lívia Louback
Thursday, April 7, 2016
Do desejo inconfessável e outros poemas II
How to find the road back to oblivion?
Dark dense thoughts closing in on me
Retrieving moments that may not be
A torture path that clings to a need
With a music that never dies or ceases
It flows around my neck and down
The lines of my broken vessel
Poisonous melody of lust
Taking hold of my wounded soul
Longing for silence or your arms to hold
Como encontrar a estrada para o esquecimento?
Pensamentos densos e escuros se fecham sobre mim
Resgatando momentos que não se repetirão
Um caminho torturante que se prende a uma necessidade
Com uma canção que nunca morre nem termina
Ela flui ao redor do meu pescoço e desce
Pelas linhas do meu vaso quebrado
Venenosa melodia da luxúria
Tomando o controle da minha alma ferida
Ansiando pelo silêncio ou
Por seus braços para me segurar
Lívia Louback
Do desejo inconfessável e outros poemas I
Sobre a fome que permanece dentro de mim
Usando palavras para construir castelos
De dor e caos e cinzas
Um amontoado de vasos distorcidos
Em chamas nas festanças sangrentas
Você e
Eu e
Tudo entre nós
Olhe ao redor
Você está preso
Tão distante de mim
Lívia Louback
Usando palavras para construir castelos
De dor e caos e cinzas
Um amontoado de vasos distorcidos
Em chamas nas festanças sangrentas
Você e
Eu e
Tudo entre nós
Olhe ao redor
Você está preso
Tão distante de mim
Lívia Louback
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