Thursday, December 31, 2020

Sideways

I hate to say how much it hurts
The way my heart is shattered everyday
I feel like a piece of the sideway
Shrinking at the sight of you
Just emptiness, over and over

Onde a Alma faz uma curva

Eu convivo com uma sensação contínua de inadequação. De não ser desejada em conversas ou como companhia, de não ser admirável aos olhos que me cativaram. Comecei a questionar os fundamentos de tais sentimentos, e notei que me apeguei cegamente a uma verdade que talvez nem seja tão real assim. Tomei distância e fui respirar... será que tudo que tomei para mim como verdade nem tem razão de ser? Talvez. Então me coloco a observar. E sinto vontade de falar, já sem a tristeza que costuma ir embutida em tudo que toco. Falar de olhares, mares de pura emoção. Falar dos arrepios que me atravessam quando penso em suas mãos. Por que é tão difícil falar de amor? Sob seus olhos vejo brilhar um destino felino capaz de me emocionar. Quero seus lábios quentes bem perto e te ouvir sussurrar, quero suas mãos dominando meu corpo como o próprio mar. Vou te convidar a mergulhar , onde meu vulcão em chamas tem todo o seu lar. Meta para 2021: publicar posts que nunca saíram do rascunho por vergonha, como esse.

Wednesday, December 23, 2020

Nudez

O corpo, em feixes de luz se desintegrou. A nudez não é sedução... é sobre aceitar o natural e não buscar perfeição. Me despir perante tudo que oculta quem realmente sou. Me despir das convenções sociais, dos moralismos, das cores das roupas e suas artimanhas de sedução. As roupas no chão numa trilha de auto aceitação: e porque punir e negar a mudança, se ela te aceita? Preciso ser vista além dessa prisão feita de ossos e sangue, não me encontro num lugar onde seja possível um par de mãos alcançar. Mas já em projeção, fui alcançada.

Sunday, December 20, 2020

Water

And with no warning, water starts falling down my skin. I feel it bursting out from the void of my eyes, this deep darkness it hides. I was afraid nothing could hit me anymore, but thinking about leaving with no goodbyes must have opened the door. Today my firstborn told me he hasn't been quite well this week, and eventually ended up saying he has been afraid of my imminent death ever since he sadly witnessed my father crush all the brief hope that crossed my mind, with harsh words and heavy despise. But that was not when tears came back to me, no. I mourn the future that any of us can expect to live in this family, yet I have gone cold as a rock. I told him to quit worrying, there is no point in that. Life is fleeing anyway... I spent most of my day planning this surprise for some people I care about and trying to allow myself to trust in a better tomorrow. But it feels like I am only saying goodbye, quite tenderly. I am placing all the love I feel, hidden in pretty words and pretty packages. 17 years of dodging premature death, and sometimes it feels I never left that bridge. I am still trying to jump, and still corroded by guilt for my weaknesses. I didn't take the jump for my son, but now I need to do it for myself, and it's harder. It's crazy to think that my brain has "upgraded" to sabotage me into suicide since I refuse it consciously. The weirdest part of it is that these news should terrify any normal person. But I am not even scared. Somehow it's like I am an outsider to myself, and nothing could make me feel anything anymore. But apparently I do. So I cry because I feel my time running out and celebrate my tears, because they prove I am still here, I am still alive. I didn't mean to sound so upset... I didn't give up, and I don't plan to. But please don't let me be a living corpse on autopilot with a sign that says "I tried", because those words to me mean "I failed", and that is not an option. Happiness, in solitude or company, or I'll keep trying until all the lights in my brain go out.

Tempo//opmeT

O tempo não pára, mas também não existe. A existência é contínua e linear, e uma hora deixamos de aqui estar. Entretanto, perdemos tanto tempo, do raro e curto tempo que temos permissão para existir. Há caos e incerteza. Não me apetece mais investir tempo em criar planos que se extendam o prazo máximo de 72 horas: não existem garantias. Apenas presumimos que continuaremos aqui, vivos, porque não enxergamos a roda da vida, ninguém sabe quanto tempo ainda lhe resta para existir. E assim sendo, tomamos decisões sem muitas vezes dedicar o tempo necessário à reflexão de emoções e sonhos. Já não resta em mim a inocência de acreditar que pode haver um amanhã, e isso me muda de formas imprevisíveis. Então prefiro optar pelo que me faz sorrir, que me encanta, me emociona. Esperam que eu me condicione e viva dentro de expectativas de conformidade; mas nunca me conformei com a tristeza que permeia a realidade. Gosto de brincar com as palavras, criar curvas e disparidades, ocultar no silêncio aquilo que pode ser sentido no olhar. E não lamento - se num piscar de olhos tudo acabar, prefiro levar meus sonhos contigo do que o gosto amargo de bocas indesejadas, ou as lágrimas de sal das minhas tantas mágoas do que sorrisos ocos e sem brilho. O que significa tudo isso, então? Nada mais do que um sopro, talvez sem explicação. Sigo acreditando na única coisa que parece ter razão, que bate em descompasso em reação à melodia que vem do seu coração.

Friday, December 18, 2020

Gone

I hide in the dark even before the morning starts. Closed blinds, lock the door, I'm trying to lock the fear out before I hit the floor. The hours fly by in the blink of an eye. Silence surrounds me like a cold hug, and I loose myself inside a book, or daydreaming of moments of happiness I believe shall never come true. My heart beats weak and worn out when the body remembers I still breathe. So I step out of my bed for strange moments, walk around briefly just to realise again that no food can make this end, it's all foreign and absent to my will. So I challenge death again and force myself to eat something, just anything that keeps me from recognizing the pain in the void. The world keeps spinning at the same pace yet it's past 10pm and I just remember how the lights of dawn were hurting me a few minutes ago... Gone. One more day, gone. And I sit here by the phone, can't move. Trapped like a fly in my own spider web.

Thursday, December 17, 2020

Ausência

Estou morrendo lentamente, mas muito mais depressa do que deveria ser. Sinto que vou desaparecer, me desintegrar a qualquer instante, e ninguém consegue perceber... Eu gostaria de entender o que se passa dentro do meu próprio universo. Nesse momento de fusão, olho ao redor e pareço não reconhecer absolutamente nada. Não me sinto em casa, mesmo estando sozinha em casa. Não reconheço as paredes, até minha cama não parece mais me caber, tudo é desconfortável. Ontem mais uma vez quase explodi a casa tentando cozinhar. Dias como hoje vêm e vão, não consigo nem mesmo ter foco para ler. Me enclausuro no silêncio, e lágrimas sonham em descer, mas ao que parece desaprendi até isso. O que fazer quando sua alma está ausente, e tudo que permaneceu foi seu corpo triste e consciente?

Tuesday, December 15, 2020

Guerra

Tirei um tempo para, através das minhas próprias palavras, revisitar meu passado, minha história, meus sentimentos e pensamentos ao longo das últimas duas décadas. Fico um pouco inevitavelmente triste em perceber a causa de tantos lapsos de julgamento, mas evolução não é algo que se faz para aquilo que já passou, não existe reversão do passado. Eu nem gostaria que houvesse. Não há nada que eu tenha deixado lá atrás que eu gostaria de ter mantido, mas gostaria de ter aprendido certas coisas mais depressa. Os últimos meses da minha vida foram um caos interno maior do que jamais pensei ser possível, porém percebo que isso se deve ao fato de que finalmente estou me vendo por inteiro, não apenas frações dispersas e temporárias que existiram de mim. E lidar com 34 anos de muita intensidade, muitos sorrisos e muitas lágrimas, e muitas memórias suprimidas, tem sido um baque doloroso. Meu chão desapareceu por inteiro, nada como andar sobre ovos, mais semelhante a tentar andar sobre a água. Naturalmente, comecei a me afogar. Ainda não estou deslizando graciosamente pela superfície desse lago profundo que é a minha alma, mas já não me sinto mais sem ar. Começo a divisar um caminho possível onde todas as partes de mim sejam reconhecidas, rumo à unidade. Ser todos os meus aprendizados, todas as minhas esperanças, meus sonhos, minhas dores, minhas perdas e conquistas, minhas cicatrizes e falhas, minhas forças, meus dons, ser tudo o que eu acredito, que eu sei, que temo e que duvido, ser esse complexo furacão que sou eu, às vezes parece algo maior do que eu mesma possa sustentar num único olhar. Mas não é! Eu já sou, mesmo que em fragmentos... A sensação que tenho quando olho para o passado é que a cada amanhecer, uma Livia diferente despertava. Memórias e desejos seletivos. E nos últimos anos, a única Livia que acordava era a leoa feroz que nasceu no parto de cada filho. Lutando sempre pelo mesmo fim, e lidando com o restante como peças danificadas de um quebra-cabeças antigo. Quando despertou em mim toda a potência dos sonhos e dons de 17 anos atrás, eu não conseguia encontrar espaço em mim mesma para existir. Confesso que ainda não consigo, mas só de esboçar um projeto de completude para mim mesma, é um passo que semanas atrás parecia impossível. Descobri que o impossível e o medo sempre me moveram, ao invés de me paralisar. E nesse momento decisivo, não poderia deixar de ser assim. Acabei de ler mais um livro, e não sei como consegui viver por tanto tempo longe de tudo que me inspira e motiva - não por responsabilidade, mas por amor. No fundo, esses abandonos tentaram me mostrar que minhas escolhas estavam na contramão da minha felicidade. A cada frustração, eu me afastava daquilo que mais amava, e me perdia da minha própria essência - até mesmo quando eu acreditei que estava bem porque superficialmente, e financeiramente, tudo parecia melhor do que jamais fora. Talvez para pessoas diferentes de mim, seja possível viver pela força de vontade de cumprir obrigações, mas minha alma só entende a motivação do amor. E como eu me tranquei bem longe de tudo que eu amava, fui perdendo a sensibilidade e a habilidade de sentir e expressar amor. Hoje vejo que é porque dei amor para todo mundo ao meu redor - menos para mim. Nem sabia como me dar amor! Acabei de começar a aprender, me acolhendo com um abraço triste ao final de uma guerra, quando tudo parece ser apenas trapos e resquícios do esplendor de outrora, mas ainda é possível encontrar brilho no olhar. Não é o fim de uma batalha: encerro aqui a guerra que travei contra mim mesma desde tempos imemoriais, pois a guerra foi quase tudo o que eu aprendi. Me recolho com carinho, para cuidar do templo em ruínas que sobreviveu. O mundo por si só já oferece guerra demais contra cada um de nós, e não quero mais levantar armas contra a única pessoa que jamais me abandonará:eu.

Monday, December 14, 2020

Memória

A memória é um palácio curioso e vivo, surpreendente. Oculta de nós momentos, e em outras circunstâncias nos arremessa esses mesmos momentos na cara, de forma que nos seja impossível ignorar. Uma cena veio rodopiando das profundezas de mais de uma década atrás. Era noite, e eu possivelmente havia me atrasado duas horas. O sorriso paciente do menino à minha frente não transparecia qualquer decepção ou incômodo com o fato. Ele ria da minha previsibilidade e constância, até na falta de pontualidade. Minhas mãos se agarravam uma à outra como se buscassem desesperadamente apoio, e suavam. Silenciosamente eu agradecia ao blush por ele não poder me ver enrubescer. Ele não sabia, mas eu estava preparada para terminar a noite sozinha, na companhia das minhas lágrimas. Havia escolhido essa noite para entregar a ele meu mais profundo, vergonhoso, humilhante e terrível segredo. Um segredo do qual eu me culpava e me odiava. Meu coração estava pequeno e apertado, mas eu sentia ser impossível continuar desfrutando de sua companhia amorosa quando ele amava apenas uma projeção de quem eu realmente sou. Estávamos sentados nas antigas mesas externas daquele fast food de sanduíches de minhoca que envenena e seduz as crianças no vício que deveria se chamar trash food. A noite na Savassi era desagradavelmente barulhenta e desprovida de privacidade. Com um toque requintado de crueldade, afastei mais um jovem que nos interrompeu a conversa. (Na época, eu ocultava minha timidez e ansiedade através de uma crueldade intensa com um mix de ousadia e grosseria. Dói só de lembrar, e mal me reconheço). Por fim, as palavras foram ditas. Eu olhava para baixo, para as mãos mais ansiosas do que nunca, tentando ser invisível, esperando ele se levantar e ir embora sem olhar para trás. Entretanto ele estendeu suas mãos sobre a mesa e alcançou as minhas. Levantei o rosto, subitamente surpresa, e encontrei seus olhos de âmbar esverdeado, com rajadas vermelhas, que arrancava suspiros inexplicáveis em meu peito. -- Você não me despreza por isso? - perguntei, trêmula. -- Não, claro que não. O que eu sinto é uma tristeza enorme por isso ter acontecido com você. Eu queria poder ter protegido você de ter vivido essa situação. Gostaria de poder apagar essa dor em você com um sopro. -- Não te provoco asco? Você não me ama menos por isso? -- Se é que é possível, te amo mais. Por ter me contado, por confiar tanto em mim. Por mostrar a profundidade da sua dor. ... Como uma nuvem passageira carregada pela brisa suave, a cena se torna novamente névoa e mergulha no redemoinho do passado. E com esse precioso presente na lembrança, finalmente fui capaz de perceber que tal amor é o único amor possível. Aquele disposto a te aceitar por inteiro e desejar arrancar a sua dor de dentro de ti. Quisera eu que a palavra amor queimasse nos lábios de quem a usa em vão, e que não está disposto a lutar pela felicidade do ser amado, e nem atropelar seu ego. Andei me sentindo curiosamente masoquista por esses sentimentos que contrariam o ego e fazem bem ao coração, e descubro que até eu já profanei a palavra amor. Ainda bem que não mais, e que uma lição aprendida uma vez, me pertence até o fim.