Friday, July 23, 2021

Hesitante

Anseio por dizer palavras livres: de tristeza, de desabafo, de dor, de saudade... Porém a ideia de insistir em chamar a uma porta que se fechou uma vez antes, não cogito levianamente. Quando alguém decide sair da minha vida, penso que é questão de respeito me manter longe. Não acho certo tentar persuadir ninguém para querer participar da minha vida, mas não me faz bem nenhum engolir minhas verdades com ácido e sucumbir enquanto minha mente reverbera sempre a mesma palavra - seu nome. O erro também foi meu, quando optei por não me explicar mesmo sabendo que havia sido mal entendida. E os escombros desse fantasma continuam ferindo, e só uma boa dose de verdade poderá curar esse pesar. Sem mais...

Thursday, July 15, 2021

Fragile

Clarity of the mind is such a rare thing, and so satisfying! The pain can either give you more clarity or make you completely blind to everything else. I feel the pain of my broken bone - the first and most likely not the only one. It makes me feel like I might pass out at times, but it mostly awakens me to see all that I was able to do before this bone was broken and that I took for granted. I don't know why nor how, but I am pretty sure it had something to do with fear that brought me to this awkward state of mind where I don't apreciate things like I used to do. Now I feel painfully grateful even for my pain. And I must remind myself daily: I am grateful for being alive, I am grateful for all that I learn from the pain ever constant in my life. And above all else, I am grateful for all the lovely moments I had of joy, love and pure bliss - looking in the eyes of someone you love deeply and unconditionally, and watching them smile as love is pouring out of their eyes is blissfully blessed as a newborn child. I have regained my thirst for life and my joy in existence all due to the overwhelming love that leaks out of my heart in a persistent and unstoppable way. So I have decided to appreciate my pain, both metaphorical and physical, and be wise about the many things life has already taught me. And that means HARDWORKING effort of putting my mind back in order. No more taking life for granted!

Tuesday, July 13, 2021

Os tempos são outros

Às vezes sinto uma necessidade súbita de parar o tempo. Só até terminar essa série, ou esse livro. Ou até conseguir colocar todas as tarefas da casa em dia, ou só até conseguir finalizar as encomendas, até ter fotografado tudo e colocado no site, ou só até colocar em dia as ideias de peças incríveis que imaginei na mente. Só até eu escrever as 318 histórias de bestsellers que fico assistindo passar detrás dos meus olhos e nunca encontro tempo para me dedicar a isso, porque não vai pagar o sacolão da semana, nem os medicamentos para o osso quebrado, tampouco as contas desse mês. Quero ganhar tempo porque a vida não pára para eu alcançar meus sonhos, e já me cansei de adiá-los - desistir deles, jamais! Queria ser eu quem tem as chaves da percepção temporal em mãos e pausar indefinidamente todas as pessoas - só até eu me sentir preparada e pronta para viver, da forma como eu gostaria de viver. É tão triste perceber que fui derrotada pela exaustão, ou pela saudade de rir e me diverir... Só noto que esqueci de tomar meus remédios quando a dor começa a latejar de um jeito forte e persistente, do qual é impossível escapar. Não consigo sempre acompanhar a progressão do tempo, me perco em ideias, letras, sons... memórias. Dentro de mim existem muitos tempos, muitas vidas, intensidades que queimaram como combustível todas as chances que existem de uma realidade a dois. Diante de mim, permaneço sempre só mas bem acompanhada. Já conheci o sabor de ser amada, mas será que essas memórias têm sabor de mel? Quando se almeja o "até que a morte os separe", o fim da mais doce paixão é a mais trágica amargura. Romantizar, na sociedade atual é uma palavra com significado ruim. Desde quando o romance se tornou o defeito, o pecado? A normativa de hoje é desapego, poliamor, descompromisso. O tempo do amor só existe no meu mar de sonhos, um pequeno caixão vermelho contendo uma jóia rara, desprezada e abandonada- meu coração.

Friday, July 9, 2021

Pertencimento

O mundo dos sonhos é um lugar mágico e misterioso. Na infância, eu tinha medo de fechar os olhos para dormir. Eu fazia uma pequena prece: uma noite sem sonhos, por favor. Mas quase todo dia o sono conduzia a uma guerra assombrosa da qual eu era a protagonista, e faces demoníacas aos berros disputavam por mim. Sonhos repetidos sempre doíam mais, porque eu já sabia como iriam terminar. Se era uma queda para a morte, consumida por chamas ou lutando pela vida numa selva cheia de armadilhas, assim que eu despertava dentro do sonho era tomada pelo deja vu e já sabia como acabaria. Quando cheguei aos 20 anos, comecei a ter sonhos ainda mais perturbadores, pois não eram fantasiosos. Sonhava ter sido traída e ter brigado com meu companheiro, e quando ele me tocou pela manhã retribuí logo com um tapa na cara - que ele não entendeu, e demorou um bom tempo para eu entender que havia sido um sonho. E isso, porque meus sonhos já não eram mais pequenas cenas flutuantes - eu vivenciava cada minuto, cada hora, e lembrava de tudo em detalhes. Lembrava das palavras ditas, e tudo que eu sentia nos sonhos, eu acordava com o coração transbordando aquilo. Em 2010, veio um sonho muito marcante: eu não era eu mesma no sonho, e vi toda a cena como uma observadora invisível no ar. Assisti em horrendos detalhes enquanto fui assassinada, esquartejada e devorada por cães. Senti no corpo tudo o que vi sendo feito comigo, e acordei aos berros. Gritei por muito muito tempo, completamente certa de que havia morrido. Quando parei de gritar uma hora depois, já sem voz, andei no escuro tateando, aterrorizada me levantei e encontrei um interruptor. Acendi a luz e não estava morta, mas aquela sensação não passou. liguei para o meu namorado da época e aos prantos pedi para ele me dizer se eu estava viva. Ele me tranquilizou. Por essa primeira hora, eu momentaneamente perdi as lembranças daquele "agora": onde eu estava, o que eu havia feito naquele dia, o que eu fazia da vida. Conversando com o namorado as memórias foram voltando. Procurei me tranquilizar e esquecer, mas sempre que me deitava a prece era a mesma: "uma noite sem sonhos, por favor". Muitas águas rolaram depois... Tive um sonho, ou talvez não tenha tido - senti o deja vu quando o tive há dois anos, mas não me lembro de quando foi que o tive anteriormente - e esse foi o mais aterrorizante de todos, não pelo sonho em si, mas pelos aspectos que explicarei. Num dia qualquer de meados de 2019, coloquei meu filho caçula para dormir e fui me deitar. Despertei em outro mundo, com outro corpo, outra vida, outra realidade, outra profissão. Mais uma vez, não era uma cena - era como viver, porém algumas semanas depois tudo acabou quando eu morri e despertei - completamente desesperada em resolver as questões que estava vivendo no sonho. Acordei chorando e em pânico, e não sabia onde eu estava. Não me lembrava sequer da minha casa, saí andando para tentar entender onde estava e como poderia ter vindo parar aqui. Quase entrei em choque quando vi meu filho e não o reconheci - não era nem da mesma idade do bebê que eu tinha em meu sonho. Tive certeza que isso só podia ser um sonho e que a qualquer momento eu iria acordar e ter que retomar a fuga frenética para proteger meu filho. O dia todo passou, e essa vida continuou, a outra não voltou. Isso tinha um sabor ácido, eu lembrava com clareza o que havia comido no restaurante self-service 2 semanas antes naquele mundo sonhado, mas não lembrava o nome do bebê me chamando de mamãe. Então peguei meu telefone (que na época graças a Deus não usava senha) e mandei mensagem para a única pessoa que eu reconhecia do sonho, por foto, minha amiga Ingrid. Liguei para ela, novamente aos prantos e contei tudo que me lembrava. Como a vi morrer e seu grito ainda ecoava distinto em meus ouvidos, sua voz e todas as coisas que vivemos juntas lá. Ela me orientou calma, e aos poucos fui lembrando desta vida. Sinceramente isso foi tão assustador que passei dois dias sem dormir, com medo de voltar para o "mundo do sonho" e passar por tudo isso de novo. Porém para minha alegria, não voltou a acontecer, pelo menos não assim, e não até ontem. Tive muitos sonhos nos últimos 2 anos, claro, mas geralmente cenas entrecortadas ou até mesmo nítidas, porém não cenas de morte. E ontem tive mais um desses sonhos longos, de sentir e lembrar do passar dos dias ao longo do sonho, em tantos detalhes como se tudo estivesse sendo realmente vivido. Porém foi como se eu estivesse editando o passado, costurando-me a uma realidade que não é minha, buscando sentir algum tipo de pertencimento na vida das pessoas com quem sonhei. Entretanto estou fadada a sempre olhar de fora, uma estrangeira expulsa do coração daqueles em quem reconheço ser o meu lar. Ao menos em sonho, tenho a chance de sentir sua dor e sua tristeza, e dar aos seus olhos cansados os meus olhos compreensivos, e apenas nisso já me sinto pertencer à sua vida, simplesmente porque sempre irei me importar...

Thursday, July 8, 2021

Silêncio e Nuvens

Certas dores não provocam reações furiosas - pelo contrário, resultam em rendição silenciosa e dormente. Na total incapacidade de entender o que lhe fez sair da minha vida quando em tantos momentos demonstrou que eu tinha alguma importância - ou que se importava com meu sofrimento - eu deixei todas as minhas armas caírem por terra. Não me restaram nem mesmo palavras que pudessem exprimir meus sentimentos, pois comecei a sentir coisas que não fui capaz de entender... Um dia como qualquer outro, mas o Sol do meu universo interno implodiu, e tudo ao meu redor retornou às trevas. Não apenas a luz da sua alma que me iluminava se apagou, mas até o calor do seu corpo que me aquecia partiu, deixando-me gelada neste inverno sombrio. Talvez eu tenha invejado seu calor e tentado absorver um pouco dele, me tornar um pouco como você na esperança de lhe entender melhor. Agora contemplo o vazio no breu gélido e me questiono se já entendi qualquer coisa de ti. Além das ondas que fluem de você em forma de música, do seu mar sem fim, acho que nunca falamos a mesma língua. O verdadeiro desafio é compreender por qual razão se descarta tão facilmente alguém que um dia tratamos com deferência. Para onde vão os suspiros cansados na calada da noite, que não se cansam de lamentar? Será que navegam até você sem fazer curva, num fluxo contínuo de uma conexão afetiva que não se rompe por mera decepção? Será que lhe acalentam na noite como um som de ego massageado ou um zunido irritante? E sua vida continuou como se eu jamais tivesse existido. Porém, não é o amor o seu maior inimigo. Sofro genuinamente pois admito o que levo em mente - sem nunca desistir, pois já vi tantas primaveras passarem, enquanto minhas visões se cristalizaram em realidade, que aprendi a não duvidar de mim mesma nem deste dom de entender a matemática do universo que parece falar diretamente comigo.