Thursday, July 8, 2021
Silêncio e Nuvens
Certas dores não provocam reações furiosas - pelo contrário, resultam em rendição silenciosa e dormente. Na total incapacidade de entender o que lhe fez sair da minha vida quando em tantos momentos demonstrou que eu tinha alguma importância - ou que se importava com meu sofrimento - eu deixei todas as minhas armas caírem por terra. Não me restaram nem mesmo palavras que pudessem exprimir meus sentimentos, pois comecei a sentir coisas que não fui capaz de entender... Um dia como qualquer outro, mas o Sol do meu universo interno implodiu, e tudo ao meu redor retornou às trevas. Não apenas a luz da sua alma que me iluminava se apagou, mas até o calor do seu corpo que me aquecia partiu, deixando-me gelada neste inverno sombrio. Talvez eu tenha invejado seu calor e tentado absorver um pouco dele, me tornar um pouco como você na esperança de lhe entender melhor. Agora contemplo o vazio no breu gélido e me questiono se já entendi qualquer coisa de ti. Além das ondas que fluem de você em forma de música, do seu mar sem fim, acho que nunca falamos a mesma língua. O verdadeiro desafio é compreender por qual razão se descarta tão facilmente alguém que um dia tratamos com deferência. Para onde vão os suspiros cansados na calada da noite, que não se cansam de lamentar? Será que navegam até você sem fazer curva, num fluxo contínuo de uma conexão afetiva que não se rompe por mera decepção? Será que lhe acalentam na noite como um som de ego massageado ou um zunido irritante? E sua vida continuou como se eu jamais tivesse existido. Porém, não é o amor o seu maior inimigo. Sofro genuinamente pois admito o que levo em mente - sem nunca desistir, pois já vi tantas primaveras passarem, enquanto minhas visões se cristalizaram em realidade, que aprendi a não duvidar de mim mesma nem deste dom de entender a matemática do universo que parece falar diretamente comigo.

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