Tenho sentido as palavras criando musgo
Silenciadas em meu âmago
Enquanto o dia se arrasta em tormento
Porque me desprendi da noção de lar
Tento, tento me encontrar
Tenho sede de paz e mar
Desde que decidi partir, não suporto mais ficar
E as burocracias da vida parecem me devorar
Mergulho num turbilhão de informações
Buscando formas de me salvar
Mas fui levada pela força da correnteza
Meus neurônios parecem colapsar
Reflito sobre o vazio interior
As emoções, velhas amigas
Não consigo encontrar
Resta essa doída mordida
Que acontece sem eu sequer notar
Só a dor da tensão acumulada
É que me desperta, falta ar
E quanto mais me perco
Nessa busca acelerada
Mais as águas turbulentas parecem clarear
Eis que tenho um visto um pouco de luz
No fundo do meu abismo, um brilho de luar
