Saturday, November 13, 2021

Um dia de cada vez

 Tenho sentido as palavras criando musgo

Silenciadas em meu âmago 

Enquanto o dia se arrasta em tormento

Porque me desprendi da noção de lar


Tento, tento me encontrar 

Tenho sede de paz e mar

Desde que decidi partir, não suporto mais ficar 

E as burocracias da vida parecem me devorar


Mergulho num turbilhão de informações

Buscando formas de me salvar 

Mas fui levada pela força da correnteza

Meus neurônios parecem colapsar 


Reflito sobre o vazio interior

As emoções, velhas amigas

Não consigo encontrar 


Resta essa doída mordida 

Que acontece sem eu sequer notar

Só a dor da tensão acumulada 

É que me desperta, falta ar


E quanto mais me perco

Nessa busca acelerada

Mais as águas turbulentas parecem clarear

Eis que tenho um visto um pouco de luz

No fundo do meu abismo, um brilho de luar