Friday, April 16, 2021
Uma dança
Lhe convidei para uma dança cósmica, e o único crime é não poder me tocar. No Cosmos todo encontro é também destruição, então dançamos assim, emparelhados, as mãos ensaiando como seria esse encostar atômico. A gravidade vem forte do buraco negro onde um dia esteve seu coração, e eu que carrego um em cada olhar, me pergunto se fui capaz de lhe cativar. As sombras permeiam tudo, o vácuo é asfixiante nessa imensidão... Mas em mim brotam sorrisos porque na escuridão atravesso buracos de minhoca que me levam adiante, e são os seus olhos que encontro dentro do avesso da ampulheta da Existência... Então eu retorno e nas sombras aguardo o mover das águas do mundo, que girando vai, sem pausa, trazendo com precisão cirúrgica esses olhos na direção dos meus.

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