Sunday, December 20, 2020
Tempo//opmeT
O tempo não pára, mas também não existe. A existência é contínua e linear, e uma hora deixamos de aqui estar. Entretanto, perdemos tanto tempo, do raro e curto tempo que temos permissão para existir.
Há caos e incerteza. Não me apetece mais investir tempo em criar planos que se extendam o prazo máximo de 72 horas: não existem garantias. Apenas presumimos que continuaremos aqui, vivos, porque não enxergamos a roda da vida, ninguém sabe quanto tempo ainda lhe resta para existir.
E assim sendo, tomamos decisões sem muitas vezes dedicar o tempo necessário à reflexão de emoções e sonhos. Já não resta em mim a inocência de acreditar que pode haver um amanhã, e isso me muda de formas imprevisíveis. Então prefiro optar pelo que me faz sorrir, que me encanta, me emociona. Esperam que eu me condicione e viva dentro de expectativas de conformidade; mas nunca me conformei com a tristeza que permeia a realidade.
Gosto de brincar com as palavras, criar curvas e disparidades, ocultar no silêncio aquilo que pode ser sentido no olhar. E não lamento - se num piscar de olhos tudo acabar, prefiro levar meus sonhos contigo do que o gosto amargo de bocas indesejadas, ou as lágrimas de sal das minhas tantas mágoas do que sorrisos ocos e sem brilho.
O que significa tudo isso, então?
Nada mais do que um sopro, talvez sem explicação.
Sigo acreditando na única coisa que parece ter razão, que bate em descompasso em reação à melodia que vem do seu coração.

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