A poesia como um rio corre pela pele
Anseia pelo toque cujo mero pensar provoca arrepios
E a espera pulsa morna sob a pele, em silêncio
Saborosa angústia que degusto com pecaminosa frequência assombrosa
É em si próprio deleite
Te quero como o tempo fazendo curvas em Dalí
E a falta que me fazes às vezes parece ausência do próprio ar
Encontro-te em tudo ao meu redor, a cada momento
Fizeste morada em meu pensamento
E este se põe a criar, como labaredas sob este estrelado céu
A poesia tem sabor de nostalgia
Em meu coração estilhaçado
Traz reparação desmedida
E não sinto mais do medo, o laço
Que por tanto tempo me consumiu
O caminho segue incerto
Mas o destino está claro
Ninguém manda nos caminhos do coração

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