Thursday, April 28, 2022

Toque

 A poesia como um rio corre pela pele

Anseia pelo toque cujo mero pensar provoca arrepios

E a espera pulsa morna sob a pele, em silêncio

Saborosa angústia que degusto com pecaminosa frequência assombrosa

É em si próprio deleite


Te quero como o tempo fazendo curvas em Dalí

E a falta que me fazes às vezes parece ausência do próprio ar

Encontro-te em tudo ao meu redor, a cada momento 

Fizeste morada em meu pensamento

E este se põe a criar, como labaredas sob este estrelado céu


A poesia tem sabor de nostalgia

Em meu coração estilhaçado

Traz reparação desmedida

E não sinto mais do medo, o laço 

Que por tanto tempo me consumiu


O caminho segue incerto

Mas o destino está claro

Ninguém manda nos caminhos do coração

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