Wednesday, April 13, 2016

Funeral

Amanhecem os sons
Tantos sons confusos ao meu redor
Se amontoando em meu silêncio
Consumindo minha frágil paz

O som das flores brancas e amarelas
O som da bandeira estendida
O som das folhas morrendo, e caindo, e nascendo
O som da luz do Sol, tão intensa em minhas lágrimas
É fácil fazer um versinho dizendo "adeus"
Mas é uma implosão traduzir esses sons
E mostrar o caos da minha alma

Emoção quente, emoção fria
Um choque térmico emocional me despedaçou
Caminho numa solidão nua, de mãos atadas
E o espaço entre dois corpos parece intransponível
Desde que o medo me corroeu as forças

Que bela armadilha um homem se propõe a armar
Por mim, por nada
Ah, mágoa!
Amanheci com uma adaga ensaguentada
Em meu peito atravessada
Sangue negro da ilusão
Cuja morte doeu só em mim, que fui mãe
Dei à luz e a nutri, do início ao fim
Envenenar-me foi sua retribuição?
Retaliarei!, jurei em silêncio

Leva para longe seus olhos verdes
Sua doçura ensaiada
Sua alma cansada
Sua voz progressiva

Deixe-me onde estava, desolada
Eu já estava conformada
Eu nunca mais ia sonhar
Me roubaste a indiferença
E agora é o meu coração a sangrar

Quem te fez assim, tão lindo
Não pensou que este menino
Ia nascer só para matar

Ah, mágoa!
Desdobra aqui sua máscara
Pois sempre estou errada
Eu sonhei ser amada
E pelo sonho, morri.


Lívia Louback

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