
Sentei-me num banco outrora branco, agora já manchado de chuva e corrupção. À minha frente o Sol se impunha inteiro, todo ouro tingindo meu corpo, tão humano...
Fui uma figura tristemente bela: meus cabelos escuros em ondas suaves deslizavam até a cintura, passando com descuido pela curva dos seios que numa etérea blusa verde se comprimiam. Aquele ouro dava brilho rubro aos fios negros quando estes, ao vento, farfalhavam. Meus lábios vermelhos instigavam idéias de morangos e meus olhos ambarados de tigre eram poço fundo de mistério e melancolia.
Aqui, neste mesmo banco, perdi meu coração. Fui toda de um só cavalheiro; ele me levou de mim. Hoje, vazia, só sou eu se ele me traz para perto.
Restou em mim concha - sou sombra deste Sol, sou Lua diurna vagando na calmaria de imensidão azul...

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