
Dando continuidade aos pensamentos anteriores, para tentar fazer algum sentido.
Estive à espera daquele cujo brilho do olhar me instigava a viver. Estive me nutrindo desta alegria egoísta e destrutiva, e por vezes o desgastei sem a menor necessidade. Me acostumei com essa facilidade de me alimentar das luzes douradas e mornas da felicidade. E ele se cansou, ou não, não sei bem o que houve. Mas sei que ele partiu, levando consigo a fonte de tudo que me equilibrava e sustentava. Esperei longamente por seu retorno... uma hora se passou. E um dia. E um mês. Bimestre. Semestre. Quando fizer um ano já terei me esquecido dos prazeres da sua preciosa luminosidade. O toque suave de suas mãos em meus cabelos já terá se apagado, porque eu os cortei. Seu abraço estará perdido nas ondas que vêm e vão na direção do meu abraço. Meus lábios não terão mais resquícios do sabor dos seus lábios. Seu cheiro que se impregnou em minha alma terá sido completamente lavado por minhas lágrimas, sua voz para sempre perdida em ecos indistintos em meio aos mais sublimes sons marcados eternamente. E seus olhos... seus olhos surgirão sempre fechados em minha memória, como túmulos âmbar, cor da terra e das tempestades... símbolos da infrutífera caça à felicidade pelos suspiros de outrem.
Agora estou numa busca certamente mais complexa e dolorosa, mas cujos frutos são sempre e sempre férteis e efetivos. Busco a felicidade em mim.

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