
Eu queria independência. É absolutamente tudo que eu mais queria. E é exatamente o que não tenho. Sinto-me aprisionada em uma ilha, ao redor só vastos mares a perder de vista. Não parecem haver opções plausíveis. Sinto-me terrivelmente destinada a sofrer, independentemente do caminho escolhido.
Ultimamente andei fazendo umas péssimas escolhas. Escolhi não viver, não caminhar. Não ter que escolher nada, caminho algum. Sinto-me um tanto morta.
A verdade encontra-se no fato que sou uma eterna apaixonada pela vida. As pessoas que cruzaram meu caminho - ou cujos caminhos eu cruzei - estou certa que qualquer que sejam as opiniões que tenham a meu respeito, todas concordam que sou uma amante do carpe diem, viver o momento.
Veja então como é triste, uma pessoa que tanto ama viver esconder-se da vida e meramente existir. Eu detesto a vida que levo. Detesto o fato de não conseguir me afastar de pessoas de quem não gosto mais. Detesto ser obrigada a me calar para não ter que mentir, pois minhas verdades e pensamentos reais são por demais ácidos. Detesto a forma como minha mãe me trata, me impedindo de amá-la - ou ao menos me impedindo de demonstrar isso. Detesto a minha incapacidade de me sustentar, e só detesto mais do que isso minha incapacidade de sustentar meu filho. Detesto não estudar. Detesto minha covardia perante as escolhas e os posicionamentos. Detesto tudo o que vivo no momento, e tudo o que provavelmente aparento ser no momento, principalmente porque neste exato momento eu não poderia estar mais completamente longe de ser... eu.
Eu tenho tantos segredos lacrados, tantos medos irrevelados, tanta solidão em meu coração... não solidão por alguém em específico, mas solidão de amizade. Solidão de amor, puro e honesto. Solidão de confiança.

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