Thursday, September 26, 2024

Abismos & Amores

Aos cegos entreguei sem aviso prévio 

Amor e lealdade desmedidos

E no momento mais cruel, no abismo mais profundo 

É que me percebo rodeada por sombras e ilusões 


Aqueles a quem tanto entreguei, e me doei

Nunca tiveram intenção de reciprocidade 


Fui então fazer um passeio, subir uma montanha 

Ganhar nova perspectiva nestas questões mundanas

E que triste é notar, do alto da montanha 

No fim do caminho estou absolutamente só 

Rodeada por quem me usa de todas as maneiras que encontra possibilidade 

E me descarta com uma cara de pau digna de apedrejamento 


Pudesse eu reverter os ponteiros do relógio 

Voltaria atrás em todos os sorrisos, abraços 

Palavras de carinho e conforto 

Minutos, horas, dias, semanas, meses e anos

Tomaria tudo de volta e substituiria tudo

Trocaria todo meu amor por um cuspe

Que é o que merecem de mim

Nada além de asco e desprezo 


Nessa jornada já não encontro forças para lutar pelo bem

Aqueles que demandam proteção também andam armados

E prestes a dar o bote ao primeiro sinal de limites 

E de necessidade de reciprocidade 


Fico, então, com meu silêncio tão pesado

Que sonha alto e acaba desmantelado no abismo

A misantropia devora a doçura que um dia foi minha alma

Corrompendo tudo, poupando nada

Destino do mundo,  continuar uma piada

De muito mau gosto, péssima qualidade 


Não sei o que fazer quando nem a morte é suficiente para aplacar meu ódio de existir...

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