Aos cegos entreguei sem aviso prévio
Amor e lealdade desmedidos
E no momento mais cruel, no abismo mais profundo
É que me percebo rodeada por sombras e ilusões
Aqueles a quem tanto entreguei, e me doei
Nunca tiveram intenção de reciprocidade
Fui então fazer um passeio, subir uma montanha
Ganhar nova perspectiva nestas questões mundanas
E que triste é notar, do alto da montanha
No fim do caminho estou absolutamente só
Rodeada por quem me usa de todas as maneiras que encontra possibilidade
E me descarta com uma cara de pau digna de apedrejamento
Pudesse eu reverter os ponteiros do relógio
Voltaria atrás em todos os sorrisos, abraços
Palavras de carinho e conforto
Minutos, horas, dias, semanas, meses e anos
Tomaria tudo de volta e substituiria tudo
Trocaria todo meu amor por um cuspe
Que é o que merecem de mim
Nada além de asco e desprezo
Nessa jornada já não encontro forças para lutar pelo bem
Aqueles que demandam proteção também andam armados
E prestes a dar o bote ao primeiro sinal de limites
E de necessidade de reciprocidade
Fico, então, com meu silêncio tão pesado
Que sonha alto e acaba desmantelado no abismo
A misantropia devora a doçura que um dia foi minha alma
Corrompendo tudo, poupando nada
Destino do mundo, continuar uma piada
De muito mau gosto, péssima qualidade
Não sei o que fazer quando nem a morte é suficiente para aplacar meu ódio de existir...

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