Tuesday, May 25, 2010

Agora

Eu olho a imensidão do céu e penso na imensidão do mundo, e sinto minha imensa solidão.
Percebo que nutri e amei sentimentos e palavras vazias, mas minhas lágrimas não são vazias.
Tenho lágrimas repletas de dor, desejo e saudade. Lágrimas de arrependimento.
Com a cidade a meus pés, parto em busca de distrações mundanas, temporariamente eficazes. (É tolice crer na possibilidade de um esquecimento duradouro...)
Eu caminho e meu corpo muda. Toma forma de risos, por vezes sinceros mas não menos tristes.
Toma forma de música, e dança ao luar. Conheço, então, meu sofrimento, pois é uma dança sem par.
Fico imersa no silêncio e ouço meu coração quebrar; carrego no corpo um coração danificado.
Não aparento, é claro, no meu riso dissimulado, mas esse fardo amargo é doloroso para se carregar.
Eu falo e nada faz sentido; em revolta me calo e o mundo não vê.
Anseio pelo limbo absoluto, sem paixão, sem razão, sem por quê...

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