Friday, March 10, 2006

Lá vem história...

(Será que você não sente em meu olhar o desejo que me consome, e tudo que tenho e sinto que me arrasta em sua direção? Eu amo você...)

Tudo começou numa madrugada em que eu estava sentindo muito medo, e por isso não fui para casa (não vou dar todos os detalhes pq já cansei de pensar neles). Fiquei na internet a madrugada toda. Sem motivo aparente, em um certo momento desgrudei os olhos da tela e olhei as pessoas ao meu redor. Foi o suficiente. Ele era esguio e esbelto, cabelos negros caindo nos ombros, face lívida em óculos transparentes, um ar de seriedade. Não necessariamente bonito - não a princípio. A primeira coisa que se formulou em minha mente à visão dele foi: (sem modificações!) "Eu me casaria com ele. Sim, e seria muito feliz." E tal qual fumaça o pensamento se desfez, voltei minha atenção à tela enjoativa do PC e ouvi de mim: "Desista. Eu nunca vou casar mesmo." Relutante por alguns segundos, olhei novamente, e desde então meu coração nunca mais foi o mesmo. Forcei-me a continuar mandando mensagens idiotas no orkut até amanhecer. Antes de ir embora, encontrei dois amigos meus, conversei um pouco e fui para casa.
Quase um mês depois, fui à uma festa que deveria ser muito importante. E foi. Fui hipnotizada por um olhar pueril e muito encantador. Enquanto durou o encantamento, nada mais eu vi. Mas então amanheceu, e aquela música perfeita acabou. E aí eu vi: eu estava ao lado daquele ser incrível com quem eu poderia passar toda a eternidade, e talvez ainda mais. Foi um susto! Tive medo e me calei. E ele ficou do meu lado, e eu só queria nunca mais soltar daquele abraço. Mas mesmo assim subi no ônibus e fui para casa.
Uma semana depois, convidei-o para sair. Tão certo e "meant-to-be" que nem notei. Mas o convite estava feito, e ele aceitou - para meu absoluto desespero. Foi um dos momentos que jamais esquecerei (se é que me esquecerei de algo): em um dado momento da noite, ele se tornou absolutamente lindo, irresistível até, eu posso dizer. Algo em seu olhar, que persiste até hoje. É como se tivessem escondido uma jóia embaixo de um tapete na sala, como se não tivesse perigo nenhum. Um misto de maravilha com liberdade e uma inexplicável atração: nunca mais pude deixar de olhar em seus olhos sem amá-lo.
Depois disso ele sumiu. E eu morri um pouco dentro de mim, e me fiz deixá-lo de lado. Novamente, "Desista. Eu nunca vou casar mesmo."
Mas por obra do destino, cada vez me apaixonei mais e com mais medo: toda vez que o via era sem aviso prévio, e só posso explicar que meu coração na boca me impedia de dizer qualquer coisa. O primeiro encontro aconteceu numa bela tarde em que eu caminhava ao som de Pistols com amigos, e novamente meu olhar foi levado sem motivo aparente para outra direção, e lá estava ele. No segundo encontro, eu caminhava em direção a um amigo meu e ele simplismente surgiu na minha frente, de uma forma muito imprevisível, quase como se tivesse caído do céu. Abracei-o, trocamos umas poucas palavras e novamente ele se foi. O terceiro foi o melhor de todos, o mais significativo e impossível de se colocar em palavras. Por conta desse encontro, larguei meu emprego, larguei meu "rolo-ficante-amigo", abandonei tudo e tirei férias para me reestabelecer. Nesse dia mágico, eu vivi (quase) todo o meu amor por ele. Nunca voltei a estar tão próxima dele, nunca voltei a ser tão feliz, tudo mudou. Foi o mais próximo que já estive dele física e emocionalmente - como a calmaria que antecede a tempestade, logo depois caí num abismo e nunca estivemos tão distantes - nem mesmo antes de nos conhecermos. [Como meu espaço é limitado, não direi como foi esse encontro ou os que se seguiram a ele, apenas suas implicações psicológicas.] Passaram-se meses desde então, e cada vez que eu o via um sorriso tomava travesso minha boca, o coração batendo tão forte que doía e uma felicidade maluca tomava conta de mim, logo suprimida por um medo devastador. Assim foi até quando a iminência de nunca mais vê-lo se tornou tangível e falei a ele sobre meus sentimentos, da pior maneira possível: pela internet, evasivamente, mas sem dar margem a dúvida. Depois disso ficou mais fácil respirar em sua presença, mas não menos chocante, feliz e aterrorizante. Hoje minha alegria foi lembrar daquele dia em que o destino (?) fez tudo dar certo, fez tudo como minha felicidade precisava que fosse, e essa é a lembrança de amor que vou carregar pro resto da minha vida, não importa quantas vezes mais eu me decepcione no amor! Só faltou o beijo, aquele beijo que teria mudado tudo... pra melhor!

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