O mundo dá tantas voltas...
Ainda assim, é impossível escapar
Dos caminhos escritos pelo coração!
Quando o sentimento é muito, o tempo é pouco
Não deve ser desperdiçado contando erros e mágoas.
O perdão é a benção dos corajosos,
Capazes de se lançar de um mesmo precipício
Inúmeras vezes, na esperança de conseguir voar.
Hoje acordei triste
Já descrente da minha capacidade de vôo
Mas caí do precipício ou fui empurrada
E o vento veio de uma direção estranha,
Dando nova visibilidade
Ao invés de um borrão de cores e medo,
Vi do alto o horizonte sem fim
Planando nos céus, o espetáculo de um arco íris
E a vista... me tira o fôlego!
Estou voando, e mesmo que eu caia
Estive aqui e conheci essa coisa linda
Que é amar e ser correspondido.
Lívia Louback
Wednesday, November 16, 2011
Wednesday, November 9, 2011
Ele
Eu o vejo em diferentes perspectivas. Primeiramente, há o homem que ele é hoje, os defeitos e virtudes e tudo que o define, da sua respiração silenciosa às suas convicções religiosas. Depois, existe o homem que ele era quando nos conhecemos, livre de lembranças, quase uma criança - uma criança linda. Sem tantos erros, com um potencial inexplorado pulsando nas veias e sem o peso que as responsabilidades trouxeram. Essas são perspectivas mais concretas, se comparadas às outras duas. Uma terceira visão dele é o homem que ele será no futuro - a maior das incógnitas: se eu pelo menos tivesse desse homem um vislumbre real (se fosse possível, ah!), seria muito menos doloroso decidir amá-lo ou abandoná-lo. Mas seus olhos oblíquos como os meus nada entregam, e fica esse impasse. Por fim, existe o pior deste homem: aquele que ele PODE ser. Todo aquele potencial agora mais escrutinado e palpável, todo o terror e perfeição que podem se manifestar... É o pior porque é este que geralmente incita o amor, quando devíamos nos apaixonar sempre pelo primeiro, por aquele que existe no presente. Eu o vejo tão amplamente que me perco nesta vasta terra desconhecida e ponho-me a contemplar, quase sem amar, mas fluindo para ele como se a própria gravidade me movesse, e quase o abandono, mas sem deixar de lhe tocar o rosto carinhosamente um dia sequer. Também quase o amo, mas meu medo leva meu corpo em outras direções...
Tuesday, November 8, 2011
Confusão existencial
Existe algo de extremamente sólido e palpável na perda. Uma cicatriz é a prova final de que um corte indelével foi feito, açoitando e rasgando corpo e alma. Não há em mim espaço para carregar essa dor - tampouco o desejo ou a tolerância com uma situação venenosa. Eternamente romântica, admito com choque que em primeiro lugar vem o bem-estar, e que não sinto-me tentada a entregar-me a loucura de paixão avassaladora... nem sei se ainda sou capaz de me entregar. Eis agora entre os restos tão mortais de minhas prévias concepções, exposto e fragilizado, e não sei o que vejo. É apenas incompleto.
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